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Autoconfiança na carreira: o quanto você acredita no seu desempenho profissional?

Publicado por: Leticia Benvenuti Castelo - 23/01/2017

Você acredita que realiza bem suas atividades profissionais? Acredita que é capaz de ter um bom desempenho em cada uma de suas tarefas? Você sabia que acreditar que é capaz de realizar determinada atividade interfere de maneira significativa no resultado de sua ação?

A esse fenômeno a ciência psicológica chama de crença de autoeficácia, ou seja, o quanto eu acredito que sou capaz de realizar algo. A discussão sobre autoeficácia iniciou em 1977, quando o psicólogo Albert Bandura apresentou em seu artigo Self-efficacy: Toward a Unifying Theory of Behavioral Change(*) a então chamada expectativa de eficácia.

Neste artigo, Bandura escreve, dentre outros assuntos, sobre a diferença entre a expectativa de eficácia e a expectativa de resultado. A primeira diz respeito à convicção de alguém quanto a realizar determinada atividade com sucesso e produzir o resultado esperado, enquanto que a expectativa de resultado trata-se da estimativa de uma pessoa de que um dado comportamento irá produzir determinado resultado.

Desta forma, uma pessoa pode estimar qual comportamento produzirá o resultado esperado, no entanto, se a pessoa não acreditar que é capaz de realizar com sucesso tal atividade, essa estimativa não influenciará seu comportamento.

A partir de então, passou-se a se aprofundar cada vez mais no estudo sobre a autoeficácia e a compreendê-la em diferentes contextos, como no escolar, no pessoal e no profissional. Em função de sua interferência na motivação, no comprometimento e, consequentemente, nos resultados que a pessoa irá obter, a crença de autoeficácia é de extrema importância para compreendermos nosso desempenho.

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Mas como essas crenças se desenvolvem e como podemos aumentar as crenças de autoeficácia para o desempenho de nossas atividades profissionais?

A importância das crenças


autoconfiança na carreira

Basicamente, as crenças podem ser desenvolvidas a partir de quatro fontes e também é a partir dessas fontes que podemos alterar determinada crença. Para descrever as fontes, vamos utilizar como exemplo a crença de autoeficácia sobre falar em público, ou seja, o quanto eu acredito que sou capaz de falar em público:

  • Experiência direta: vou acreditar mais ou menos que sou capaz de falar em público, na medida que tive experiências anteriores de falar em público, mesmo que tenha sido na escola ou em outra situação não profissional, que foram interpretadas por mim como satisfatórias. Deste modo, a realização de determinada atividade e a avaliação que a pessoa faz dos resultados que alcançou com aquela ação, interferem no grau da crença de autoeficácia. Essa é uma fonte cognitiva nesse processo;
  • Experiência vicária: além do processo cognitivo envolvido na interpretação dos resultados de seus próprios atos, as pessoas criam suas crenças de autoeficácia através da interpretação da experiência vicária, ou seja, a partir da observação de outras pessoas executando tarefas. A experiência direta é uma fonte de informações mais forte do que a experiência vicária, no entanto em atividades que a pessoa tem pouca experiência ou não está certa de suas próprias capacidades, a experiência vicária se torna uma fonte mais poderosa para criar crenças de autoeficácia. Contudo, mesmo em pessoas mais experientes e autoeficazes essa fonte interfere positivamente na autoeficácia. Ao observar pessoas com atributos semelhantes aos meus realizando com sucesso certas atividades, minha autoeficácia provavelmente aumentará;
  • Persuasão social: essa fonte trata do julgamento (seja ele positivo ou negativo) feito por outras pessoas acerca da realização de uma atividade profissional de alguém. Deste modo, o feedback que recebemos, formal ou informal, interfere diretamente para que possamos acreditar mais ou menos em nossa capacidade profissional;
  • Estado emocional e fisiológico: o estresse, a excitação, a ansiedade e os estados de humor podem ser levados em consideração quando a pessoa avaliar suas crenças. As reações emocionais significativas frente às tarefas podem ser um demonstrativo de sucesso ou fracasso. Desta forma, promover o bem-estar emocional e reduzir estados emocionais negativos é uma maneira de aumentar a autoeficácia de alguém, já que reações afetivas negativas relacionadas às suas capacidades podem reduzir as percepções de autoeficácia e acabar por desencadear mais estados emocionais e somáticos negativos, o que ajuda a resultar em desempenhos inadequados.

Diante disso, vale reforçar que a crença de autoeficácia é um pensamento, ou seja, um processo cognitivo que interfere no seu comportamento e no resultado de suas ações. Ou seja, não se trata de sua real capacidade ou de suas habilidades práticas para realizar suas atividades profissionais, mas sim de sua “verdade” sobre sua capacidade.

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Muitas vezes, essa “verdade” pode e deve ser questionada, o que você acredita que não é capaz de realizar determinada atividade pode ser apenas uma crença limitante, desenvolvida a partir de sua interpretação. Trata-se de um processo cognitivo que pode ser questionado e alterado também de forma cognitiva.

Como mudar suas crenças sobre si mesmo

 

autoconfianca na carreira

 

 

Identifique primeiramente que crenças baixas de autoeficácia você possui e que estão te limitando profissionalmente. Lembre-se das frases que você costuma falar para você mesmo ou para os outros, tais como: “isso é muito difícil pra mim”, “eu nunca vou conseguir fazer isso”, “isso está fora de minhas capacidades”, dentre outras.

 

Procure entender os motivos que o levaram a acreditar nisso. Com base em quê  você tem certeza que não conseguirá ter um bom desempenho nessa atividade? Voltando ao nosso exemplo do falar em público: se você não acredita que é capaz de falar em público, porque, quando criança, foi fazer uma apresentação na escola e “travou” ou gaguejou ou até mesmo foi ridicularizado pelos colegas, questione-se:

  • O quanto, antes de eu ir fazer aquelas apresentações, eu estava seguro e tranquilo para isso?
  • De que maneira o ambiente externo favoreceu ou prejudicou o meu desempenho?
  • Sou o mesmo menino ou menina de antes?
  • Que aspectos que desenvolvi, aprendi ou vivenciei?
  • Faz sentido me basear numa experiência da infância para julgar meu desempenho atual?

Se você considerou o feedback de um líder que você recebeu, pergunte-se:

  • Que outros feedbacks já recebi sobre essa mesma atividade profissional?
  • Todos foram negativos?
  • Faz sentido acreditar que nunca terei um bom desempenho, apenas porque tive uma ou duas experiências insatisfatórias?

Após questionar-se, elabore uma crença fortalecedora, baseada em suas reais possibilidades. Escreva e releia essa frase, quantas vezes forem possíveis. Trace um plano para colocar em prática essas novas ações, iniciando por situações que sejam mais simples, por exemplo falar para um grupo de 5 pessoas, dentro de sua família. Depois apresentar um novo projeto para seu chefe e só depois falar para um público maior ou com maior influência.

Conclusão

Nossas “verdades absolutas” podem ser muito perigosas e limitadoras de nosso desempenho. Inclusive quando se acredita que SEMPRE conseguirá, ou que NUNCA irá errar, também é prejudicial, uma vez que pode desencadear comportamentos arrogantes, prepotentes e até mesmo uma postura de acomodação. Portanto, desenvolva crenças reais e que te fortaleçam. Questione-se, avalie-se e não se conforme com o baixo desempenho.

(*) BANDURA, Albert. Self-efficacy: Toward a Unifying Theory of Behavioral Change. Psychological Review, Stanford, v. 84, n. 2, 1977, p. 191-215.